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domingo, 13 de maio de 2018

HOMENAGEM PÓSTUMA PELO DIA DAS MÃES


                                                 (tenho uns 50 volumes destes livrinhos preciosos)

Deito-me para descansar um pouco, talvez dormir. Na posição "deitada de lado", recolho um pouco as pernas e eis-me, sem querer, na posição fetal. De repente isso me lembra o dia das mães, que se comemora hoje. Posição fetal é o sinal mais evidente de que fomos gerados e nos desenvolvemos de um jeito  enrolado para nos proteger do que ainda não pressentimos Mesmo antes de nascer somos frágeis, já podemos antever que a condição do homem é de total fragilidade. Por isso quando vemos uma pessoa deitada nessa posição, por maior e mais musculosa que seja, vai deixar aparecer uma certa fragilidade que é inerente ao ser humano e a muitos animais. 

Minha homenagem póstuma ao dia das mães é agradecê-la por ter cuidado para que eu sobrevivesse à vulnerabilidade da vida, por ter me alimentado, cuidado de minhas necessidades vitais e pela dedicação que colocou na minha vida intelectual, ensinando-me a ler aos 5 anos de idade, comprando a coleção inteira das Edições Melhoramentos, Biblioteca Infantil,  dos livrinhos de contos infantis (que guardo até hoje). 

Só eu sei o que daria para tê-la ao meu lado novamente. Mas é poder que não tenho, fazer voltar o passado. O que posso no momento é pedir que esteja usufruindo de todo o direito de ser feliz seja onde for, que é o que merece, por ter sido uma heroína, considerando o que passou na vida e conseguiu superar até seu último dia.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

O AGAPANTO




                                                                          (foto do quintal da casa da minha irmã)


Quando uma coisa me afeta, não me sai mais da memória. Descobri que tenho mente mais analítica do que artística, embora me emocionem certas coisas que a natureza nos oferece como verdadeiros presentes: uma flor, por exemplo. Hoje, ao conversar com minha irmã pelo whatsapp recebi a foto de uma flor que há no jardim da casa onde mora e imediatamente respondi: "que lindo esse agapanto!" Ela disse que não sabia o nome da flor. Eu sabia seu nome quando era ainda criança e morávamos em Santos. O tom de azul e o formato dessa flor me impressionavam, talvez por ser muito alta para minha estatura de criança. 

Foi aí que respondi a ela: "você não se lembra do nome porque tem mente de artista e eu tenho mente de cientista." Eu presto atenção aos detalhes que envolvem alguma coisa que me afeta, que me emociona. Ela sente e manifesta o sentimento através da arte. Digitou no zapp: "Nossa, vc é uma poeta, isso sim!"

quinta-feira, 19 de abril de 2018

DESAPEGO (uma palavra que tem mil significados)






Ando às voltas com o pensamento no desapego. Como vou fazer a escolha do que doar e do  que  descartar? Tudo o que tenho representa alguma coisa de valor. Para mim, apenas o estimativo. Mas talvez ninguém entenda que me dói na alma apenas um descarte: meus livros e algumas fotos . Foi com os livros que passei os melhores momentos da vida. Sou grata à minha mãe por ter me incentivado a leitura desde que aprendi com ela a ler, aos 5 anos de idade. Desde então, nunca mais parei. Fiz amigos e irmãos de alma entre os escritores que elegi como meus favoritos. Deixar meus livros é como deixar um pedaço da minha alma na Terra, quando eu partir.

Tudo o mais podem jogar no caminhão do lixo.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Enquanto não chegam ideias

                                                                 (foto da internet)


O que me faz silenciar por tanto tempo? Preciso escrever. Tenho um blog e não o uso. É como ter um carro na garagem e perceber que se não usá-lo vou ter problemas. A bateria descarrega, na melhor das hipóteses. Venho pensando muito, então o ruído interno não cessa. Jogar o ruído para fora alivia? Não sei, há que se dizer de forma interessante o que se tem a dizer. Há que fazer nexo, ter uma certa graça. Há que se desenvolver uma ideia com uma sequência que deixe um rastro de um mínimo de inteligência. Alguém, não me lembro quem, disse que escrevemos para não enlouquecermos. Pode ser. Mas há um momento em que isso não é assim. Quando as letras ficam como que guardadas dentro de uma caixinha no cérebro e você sabe que para fazê-las sair da caixa há a necessidade de dizer algo que faça sentido, ao menos para você e esse momento não chega, será o bloqueio de escritor? Mas nem ao menos sou escritora...Por que esse malu estar em sentir que estou me afastando de uma das poucas atividades que me dão um certo prazer? Muito já não faço e arrisco dizer que nem tenho vontade de inventar lazeres! As coisas cada vez mais, menos me motivam. Continuo com o mesmo entusiasmo, dedicação e amor, no entanto, para aquilo que me move. Adoro minha rotina que foi criada por alguém que não sou eu. Quando vejo já é hora de fazer o que acabo fazendo sempre na mesma hora, sem que determine isso. Apenas acontece. Meu ritmo biológico se ajustou numa constância que me surpreende. E me agrada. É o que me defende de acidentes maiores. Os pequenos tenho sempre, como qualquer ser humano: cortar o dedo durante o preparo dos alimentos, dar um mau jeito enquanto passeio com as cachorras, cansar-me mais facilmente pela própria idade, mas vou sem pressa. O ritmo se faz por si mesmo, pois a natureza é sábia. Protege-nos mesmo quando não estamos alertas e isso tudo para nos dizer que temos uma tarefa a cumprir até o último suspiro!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Ponteiros Parados: OS ESCRITORES

Ponteiros Parados: OS ESCRITORES: André Kertész | Série On Reading Viver em sociedade permite compensar a falta de auto-suficiência de cada um. Daí um electricista, um...

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

filosofia a partir de uma panela queimada

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                                                            (na casa da minha vizinha) .....




Uma vizinha me disse: "gosto de ariar as panelas até que fiquem brilhando muito!"

Confesso que admiro essa capacidade. Nunca consegui ter panelas muito brilhantes por muito tempo. Cheguei a comprar um jogo de panelas de aço inox, mas com o tempo, vão ficando cheias de manchas que não saem nem com reza brava...(talvez no google eu encontre a solução)

Preciso ter tolerância e compreensão com as pessoas. Cada um de nós tem suas manias, mas deixo, sem querer, escapar algumas delas em comentários que ao outro pode pouco interessar. E se faltar atenção no diálogo é um amigo a menos que você tem. Não que se precise de muitos amigos, mas é bom ter relacionamentos agradáveis com todos os que vivem em nossa área. Fica mais fácil conviver. Muitas vezes procuro ficar atenta ao que falam comigo.  Mas há alguns assuntos que prefiro, delicadamente, cortar logo no início: religião e política. Que sejam o que quiserem, mas que não me façam engolir nem perder meu precioso tempo escutando isso.

Prefiro até ouvir minha vizinha dizendo que gosta de suas panelas brilhando como o sol!!!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

DANÇANDO NA MEMÓRIA

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Se eu disser que na faixa dos 70 anos ainda tenho vontade de dançar, vão dar risada e dizer: "velha assanhada, não dançou bastante na juventude?" Respondo que sim, dancei mais que pude, aliás, estaria dançando até agora se não fosse a vida interferir e me fazer irromper a melodia que me vai na alma. Hoje, ouvindo http://radio.garden/live/sao-paulo-sp/radio-scalla-omaggio/  uma cena vivida há  mais de 30 anos chegou-me à memória, quando num baile da 3a. idade (eta nomezinho antipático!) mais conhecido como "baile das varizes" (prefiro o bom humor deste)) veio um senhor me tirar para dançar o que seria uma seleção de samba daqueles de deixar o corpo mole para não quebrar em mil pedaços...pois esse senhor deixou a mesa onde estava instalado com mulher e amigos e sabe-se lá por que razão se dirigiu até mim (eu estava sozinha) tirou-me para dançar e rodopiamos durante toda a seleção de sambas. Durante a dança ele não falou palavra, nem eu. Apenas seguíamos o ritmo da música. No final ele disse "obrigado", eu disse "de nada" e foi cada um para seu canto.

Quero agradecer por esse momento mágico. Mais mágico por não ter sido interrompido por alguma palavra desnecessária ou até mesmo inconveniente de ambas as partes. Mágico por poder contar com a compreensão da mulher dele, que em momento algum pareceu contrariada de ver seu marido tirar outra mulher para dançar. Aí já chegam as divagações: "será que ela machucou o pé?" será que não sabe dançar mas quer que o marido se divirta"? 

Nada disso importa, agora. Só o fato de eu ter me lembrado dessa experiência deliciosa e saber que ainda dançaria pela vida afora...mas quem vai tirar uma velha na faixa dos setenta para dançar? Quem? Quem?