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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

um texto que serviu-me

 
(imagem do google imagens)

“Na região de Chiang-Shih, no estado de Song, há lindas florestas de plátanos, amoreiras e ciprestes. Acontece que, quando atingem dois ou três palmos de altura, algumas dessas árvores são cortadas para servir de poleiros; das que medem quatro ou cinco palmos, há algumas que são cortadas para fazer estacas e, das que chegam aos sete e oito palmos, muitas são serradas para tábuas de caixões. Assim, nenhuma destas chegou ao termo natural da sua vida, nem pôde desfrutar, do alto do seu cume, a imagem do mundo para a qual tinha sido criada e, a meio do seu destino, caiu sob golpes do machado. Este é o perigo de se ser útil...;”

                                                      Ichonang-Tseu



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

IMPOSTÔMETRO

NÃO HÁ NADA MAIS ESTRESSANTE QUE OBSERVAR O IMPOSTÔMETRO FUNCIONANDO :(


OU



QUE NESTE EXATO MOMENTO (22H50) ESTÁ EM 

1704126_ _ _ _ _ _ _ _ (NÃO DÁ TEMPO DE LER, QUANTO MAIS DIGITAR...)

domingo, 7 de dezembro de 2014

O que vier é lucro


Afinal, o que mais interessa na vida? Fiz essa pergunta várias vezes, mais ainda nos últimos meses.

Passando por pessoas vestidas em trajes de festa, prontas para comemorar algum evento em um buffet perto de onde moro, fico pensando que se pudesse colocar isso numa regra de 3 poderia achar o "x" da questão. Mas aqui o caso é mais simples. Seria uma regra de 2. Os elementos conhecidos são: as pessoas perfumadas e maquiadas, vestidas para festa e eu com jeans e camiseta passeando a cachorrinha (daqui a alguns meses "as cachorrinhas"). O fator desconhecido, o "x" da questão seria a própria vida, o destino que desenha a trajetória de cada ser humano, levando-os de roldão para este ou aquele caminho. 


Ao passar por essas pessoas sinto algo um pouco conflitante na alma. Uma parte de mim ainda anseia por diversão, companhia, conversa, e outra parte gosta de silêncio, solidão(minha velha companheira desde a infância) e liberdade de fazer o que me dá na telha. 


Estamos todos condenados a ambiguidades, para dizer o mínimo. Conscientes ou não do que desejamos ainda obter nesta vida, vamos nos aventurando pelos caminhos, torcendo para achar um pouco de alento, o alimento da alma que talvez nos faça viver até o próximo dia...


Tenho vivido o tal "dia de hoje". Confesso que não é fácil. Você tem que ter aprendido a eliminar toda e qualquer expectativa em relação a tudo e a todos. Mas como já experimentei a vida de outras formas e sempre acabei dando com os burros n'água, acredito que viver o agora ainda é a melhor forma de não enlouquecer. Para ser mais verdadeira, admito que planejo o dia seguinte, digamos, ao menos as obrigações básicas (afinal temos que comprar alimento, pagar contas, etc.) mas no que se refere a planos para as férias, a viagem de fim de ano, etc. etc... isso tudo está totalmente descartado do meu viver. O que vier é lucro!


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

uma pequena prece de agradecimento


(imagem da internet)


Ao chegar em casa, depois de passar por alguns perrengues (basta sair de casa para isso acontecer), no trânsito, no estacionamento e dentro do supermercado (onde senti nitidamente o quanto os comerciantes tentam ludibriar o consumidor) , consegui, com certo êxito, me desvencilhar de diversos nós e arapucas no caminho. 

A sensação que tive ao colocar os pés dentro do abençoado teto onde moro, a paz que imediatamente tomou conta de mim, levaram-me a vir até este blog para dizer apenas uma frase que resume tudo o que senti:

"enquanto tivermos controle sobre nossas vidas, administrando nossas tarefas, deveres e prazeres, podemos nos considerar privilegiados e abençoados pela força divina que rege este universo".

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Espelho, espelho meu...

Existe rosa mais linda do que eu? Disse a rosa para o espelho. E o espelho respondeu: "não, nem Branca de Neve é tão bela!"

Hoje recebi flores do meu filho e fiquei muito feliz! Não havia visto em toda a vida rosas tão lindas! Nunca vou esquecer deste aniversário. Ganhei poucas flores até hoje e quando um filho oferece tanta beleza à sua mãe, o perfume das flores é mais intenso!!!








o dia do meu aniversário

torta fria gaucha
torta de nozes
















Foi muito bom receber amigas que há muito não via. As pessoas estão cada dia mais cheias de compromissos, o tempo é curto para matar a saudade, principalmente quando cada um tem sua vida já organizada e dificilmente deixa tudo apenas para curtir uma velha amizade. 

Ontem foi o dia do meu aniversário e posso afirmar que saiu melhor do que a encomenda. Recebi as poucas velhas amigas, uma delas sem condições de dirigir até a cidade onde moro, no entanto nos falamos por telefone. 

Fiz uma torta fria (foto acima) por pura vontade de experimentar algo que nunca havia feito, até porque não é costume em São Paulo se achar esse prato à venda em padarias como no RS. Decidi achar a receita na internet e acertei em cheio. Esse prato é uma delícia, serve como um lanche 5***** para substituir uma série de salgados que se costuma fazer ou comprar prontos aqui em São Paulo (o que não é o meu caso), pois adoro culinária.

Arrematei com a torta de nozes acima, feita em casa também, que é muito gostosa. Passei o dia na cozinha, no sábado, pensando com meus botões: se ninguém aparecer o produto do meu esforço não será perdido. Meus filhos colaboram para isso :)

Nota: como saí do facebook reparto minhas experiências com os leitores assíduos do blog.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

uma explicação para o que vivemos *

Resultado de imagem para escada infinita


* Em primeiro lugar quero deixar aqui explícito que eu sempre falo das coisas como experiências e/ou pontos de vista a partir de mim. Cada um tem sua forma de pensar e sentir as coisas e não tenho a menor intenção de ser a dona da verdade. Apenas posso dizer do meu ponto de vista, (que está sujeito a mudanças a qualquer tempo), mas respeito profundamente toda e qualquer opinião sobre o que quer que seja.

A gente só tem as experiências que precisa ter.

Por que essa frase ficou tão marcada na minha vida, desde o dia em que uma amiga disse, simples e claramente, o que eu precisava ouvir para entender o que andava me acontecendo naquela época? E essa verdade se confirma até hoje, em outra escala, menos agressiva, não isenta de dor, mas menos tempestuosa.

Por essas e outras é que constatamos a existência de uma Ordem Superior que coloca tudo nos devidos lugares. Nós não daríamos conta de fazer o próprio roteiro sem cairmos em erros graves. Porque se pensarmos que tudo nesta vida é aprendizado, temos que forçosamente, até pela lógica, concluir que há um propósito em cada experiência vivida e algo ou alguém no mundo metafísico, com gabarito para nos orientar. Se assim não fosse não haveria razão para termos nascido. Nascer é um ato de amor. É um ato de reconhecimento dessa Força Superior,de que fomos escolhidos para atravessar o portal, ou se preferirem, vários portais, que vão nos levar a um mundo até agora desconhecido, pois ninguém voltou para contar como é depois da morte. Há várias experiências no campo da doutrina espírita, que respeito, até porque na minha família uma pessoa recebeu um pedido enquanto participava de uma "mesa branca", para que fizesse um favor a seu filho, morto por tuberculose alguns anos antes de sua manifestação nessa sessão espírita. Seu pedido foi atendido e desde esse dia, sabendo do acontecido, nunca mais deixei de crer que há um mundo espiritual em cada um de nós que continua após a morte. Agora, a forma como isso se dá, a oportunidade de que alguém possa vir e manifestar um desejo em uma mesa branca, já são coisas que não poderia explicar. Ainda estou por aqui. Não tive acesso ao lado de lá. Mas já tive experiências que me deixaram tranquilamente convencida de que há muito mais no plano espiritual do que supomos. 

Nosso destino é de tal modo misterioso que às vezes pensamos que somos donos dele. Acredito que até essa ilusão nos é permitida para que possamos seguir em frente e aceitar que os abismos e pedras do caminho fazem parte do lado que não nos é permitido dirigir. Então cabe a nós abençoar cada experiência como um degrau da escada divina que temos que percorrer. Não adianta espernear. É melhor aceitar e colocar tudo dentro de uma grande atmosfera de amor. Quando você percebe, já está deslizando seus pés nesses degraus e tudo fica envolto em mais frequentes e melhores condições de galgar o caminho até o final.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A Nostalgia da Cidade Natal



(foto de minha autoria)



Quem sempre viveu na cidade onde nasceu não sabe o que é isso. É uma dor com sabor de lichia, de licor de folha de figo, desses sabores doces um pouco exóticos, experimentados poucas vezes. 

Houve um tempo em que passei a sentir amor/ódio pela cidade onde nasci. Foi o tempo em que não conseguia me libertar das provações pelas quais passava e vivi nos 23 anos em que lá morei. Durante essa época mal podia administrar o que me ia na alma. As coisas aconteciam num ritmo rápido demais para metabolizar perdas e ganhos. Aliás, as perdas eram muito grandes, provocando impacto maior do que minha alma de adolescente e jovem podia suportar. Acabei por fugir da minha cidade, confundindo um destino determinado com a impossibilidade de enxergar que as pessoas não me queriam mal. Era preciso apenas coragem de enfrentar a avalanche de golpes que sofri.

Como dizia, fugi, dando a mim mesma a desculpa de que precisava buscar em outros lugares a oportunidade profissional que almejava naquela época. Em minha cidade natal não havia mercado para a profissão escolhida, ou era muito restrito a poucas privilegiadas: as que conseguiam ocupar vagas por causa de seu QI (quem indicou) ou que eram aparentadas de algum executivo bem sucedido. No meu caso o sucesso vinha da raça, mesmo. Era passar no teste escrito, no teste psicológico, na entrevista e contar com a empatia do gerente de RH. Cheguei a pensar que havia algo errado comigo. Só fui descobrir que isso era pura cisma quando, ao deixar um emprego eu me dava o luxo de uns 5 dias de férias até iniciar em outro (felizmente havia grande disponibilidade para moças que dominavam o Inglês na época e poucas candidatas qualificadas). 

E assim me afastei de minha cidade Natal e fui vivendo outras experiências; mas ficou um sentimento de traição de minha parte. Traí a quem me abrigou por 23 anos. Então não tinha mais o direito (moral) a voltar para o lugar que um dia descartei.

Hoje, mais de 40 anos depois, sinto que a minha cidade mostrou com toda sua força o que perdi. Mostrou-me que não se deve abandonar uma luta no meio do caminho, seja por falta de forças para resistir ou qualquer outro motivo. Há que se morrer lutando no local onde nascemos. Paguei um preço muito alto por isso.

No entanto, consegui o milagre de sentir-me novamente acolhida em minha cidade. Estamos quites. Ela tem se desdobrado em abrir seus braços generosos e mostrar-me o quanto sou amada e como estava enganada ao partir de lá um dia. 

Só que agora terei de me aconchegar em seus braços sabendo que já não sou sua criança querida, mas alguém que aprendeu a desistir do colo e partir para ver em cada ser humano um irmão que sofre e luta por um lugar ao sol. 

A vivência em minhas viagens à terra natal é melhor do que esperava há tempos idos. Tenho entrado na frequência da harmonia, paz e interatividade com as pessoas. É meu dever aceitar que nada pode ser como antes, (*Como Uma Onda, do Lulu Santos) mas pode ser mais forte. Pode ser algo sem a dúvida do amor/ódio. Pode e está sendo a vivência, mesmo que breve, do amor incondicional pelos seres que cruzam meu caminho.

*Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

Nada do que foi será
De novo do jeito
Que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

mais cartas enigmáticas




Aí vão mais duas cartas que meu avô mandou à minha tia, no ano de 1931. Tenho umas 15 ou 20, mas vou me limitar a essas até porque fotos e cartas, cada um gosta mais de ver quando tem relação consigo. Não quero abusar da boa vontade de meus amigos blogueiros, mas acredito que como são objetos raros, coisas que já não encontramos facilmente por aí,ofereço a vocês como um presente desta amiga virtual que sempre gosta de compartilhar coisas belas.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

cartas enigmáticas


(essa foto é tirada por mim, espero que desta vez o google respeite a propriedade)




Conversando com pessoas da minha idade, ainda não encontrei quem as conheça ou já as tenha visto em algum lugar. Acho incrível!  Será que só meu avô escrevia essas cartas? Hoje quis postar uma delas aqui, datada de 10/12/1931. Essa carta foi dirigida à minha tia, filha dele, única mulher entre os quatro filhos de meu avô José, de quem não me lembro, pois morreu quando eu tinha 2 anos de idade. 

Minha tia, filha dele, faleceu em junho último. Fiquei encarregada de embalar e fazer a mudança de todas as suas coisas (que não eram poucas), acumuladas durante toda uma vida. Não jogava nada fora, muito menos a caixinha de cartas que seu pai mandava a ela toda a vez em que minha tia ia de férias a  Poços de Caldas e deixava seu pai saudoso, em Santos, com minha avó e os filhos.

Essas cartas são preciosas. Ele foi um artista! Construiu para mim, por ocasião de meu 2o. aniversário, uma roda gigante feita a serrinha manual, toda em madeira fina, clara, onde as cadeirinhas eram representadas por cestas com balas de alfenis. Tenho uma foto dessa maravilha de roda gigante, que fazia parte do cenário onde havia um bolo salpicado de coco ralado e eu toda dengosa, fazendo pose, com vestido branco de organdi e tranças amarradas ao alto da cabeça.

Se as pessoas ao lerem isso puderem ampliar o tamanho da foto, fico feliz, pois entenderão o que é uma carta enigmática. Explico brevemente: algumas palavras dessa carta são substituídas por desenhos, feitos com bico de pena, tinta nankin preta e colorida. Uma preciosidade. Guardo-as com carinho e vou lê-las uma a uma. É claro que se alguém se dispuser a fazê-las, até por curiosidade, poderá ser usada uma caneta tinteiro. A bic nessas horas fica totalmente fora de cogitação, não faria o efeito necessário, que é "o detalhe" de cada desenho.

sábado, 25 de outubro de 2014

Oração da manhã (simples como uma mesa posta)





Agradeço a Deus por tudo o que tenho e peço por aqueles que lutam a vida inteira e ainda não conseguiram um pouco daquilo que é essencial para se começar o dia.

O Café da manhã é um bom exemplo. Se o alimento é suficiente para nos sentirmos fortes ao iniciar mais um dia, há chances de que em grande parte, depende de nós a tão propalada felicidade.

A felicidade é simples. Como uma mesa do café da manhã posta com amor. Sinto-me grata por ter aprendido a me cercar daquilo que considero essencial para executar minha tarefa diária e estar preparada, na medida do possível, para os desafios que nos são colocados.

Essa é minha forma de oração. Partilho com meus contatos.

Apenas mais um detalhe: a louça, a toalha e a fruteira são heranças de minha tia querida, recentemente falecida. O uso que faço desses objetos juntam-me a ela no plano espiritual e me fazem muito bem à alma. Apesar da saudade grande que sinto de sua presença em minha vida.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O AMOR LIBERTA, O JULGAMENTO APRISIONA.






Hoje foi um dia bem eclético: recebi algumas patadas de uns, e gestos de amor de outros.

Essa é a vida. Aprendi a não me abater com os ataques nem a me vangloriar ou envaidecer com os gestos a meu favor. Cada pessoa dá a você, em certo momento, o que você precisa para lapidar sua alma. O segredo para se conseguir isso é não deixar que o ego fale por si. O ego foi feito para nos testar. Quem a ele sucumbe é escravo das emoções e sob o regime de escravidão é impossível crescer.É importante perceber que  tudo o que fazem em sua direção tem o propósito de ensinar-lhe algo. Em vez de criticar o outro, aproveite a oportunidade para si. E como dizia uma sábia amiga - a gente só tem as experiências que precisa ter.

Não julgar ninguém é a chave para abrir uma porta que nos leva a uma vida mais leve. Quando a gente não se envolve na problemática do outro pode-se até sentir amor e compaixão por essa pessoa que nos atacou. Optando por não reagir negativamente nasce uma liberdade imediata.

Acabei de levar uma pedrada, reagi de forma educada mas aceitando que essa pessoa não quer mais fazer parte de meus contatos, e mal sabe ela que está confundindo as coisas. Não tentei explicar. Ela foi direta e eu entendi a mensagem. Seria um diálogo infrutífero, como alguém que quer convencê-lo a ser do partido x ou y ou a seguir a religião w ou z. Não quero convencer ninguém. Prefiro a filosofia da flor, aberta no jardim à espera das abelhas e borboletas. A flor está lá, o perfume é para quem quiser senti-lo.

Confio muito em que há um anjo me dando chances na vida. Ele às vezes não me poupa, mas me testa. Foi incrível o que aconteceu. Acabei de ser agredida e logo em seguida recebi uma outra mensagem de uma amiga que me quer muito bem há mais de 35 anos. Mandou-me a foto acima convidado-me a caminharmos juntas por esse lugar maravilhoso.

Deus fecha uma porta, mas abre uma janela do tamanho do mundo!!!

sábado, 18 de outubro de 2014

Meu fascínio pelo ensinamento de Hanneman







No meu blog de 24 de maio de 2014 sobre Depressão refiro-me a esse mal como se tivesse a certeza de que dele sofria. Depois de anti depressivos que quase me levaram ao hospital, tantos foram os efeitos colaterais graves, larguei tudo e agora sinto-me bem melhor. 

Precisamos aprender a sentir  nosso corpo e perceber o que ele pede. Achando que tinha uma depressão grave acabei prejudicando outras áreas de meu organismo, que sempre foi muito sensível a qualquer medicamento invasivo e alopático.  Descobri que sem os remédios sinto-me bem melhor. Incrível isso! Como em casa de ferreiro o espeto é de pau, (sou terapeuta) não usei os recursos que aprendi para meu benefício. E agora tenho uma nova estrada a seguir. Sempre gostei da Homeopatia, principalmente a de Hanneman e sua filosofia sobre um medicamento único, de base. Há que se ter perseverança e confiança, mas minha intuição (que nunca me enganou) diz que devo tentar esse tratamento. Já marquei consulta. Estou bastante feliz por ter decidido por um tratamento alternativo. 

Nada contra a alopatia, que em muitas ocasiões é o único recurso que nos livra de problemas. Você não pode curar uma fratura, por exemplo, com homeopatia. Mas o mundo está aí mostrando que não se deve radicalizar. Quando a alternativa mais apropriada é a medicina chinesa, ou a homeopatia, há que se pensar a respeito e optar por uma solução com poucos ou quase nulos efeitos colaterais.

Se alguém se interessar por algum material sobre a Homeopatia Unicista de Hanneman, é só pedir que envio o arquivo como anexo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

FERNANDO PESSOA - sobre a felicidade

Tudo o que eu disse numa postagem anterior fica insignificante perto do texto que selecionei sobre o tema em referência.
Então resolvi transcrever aqui, a genial explicação de felicidade, por Fernando Pessoa. É de tirar o fôlego!

Colocarei partes de parágrafos do Livro do Desassossego, que considero um dos melhores que li em toda a vida.

cap. 405  A vida, para a maioria dos homens, é uma maçada passada sem se dar por isso, uma coisa triste composta de intervalos alegres, qualquer coisa como os momentos de anedotas que contam os veladores de mortos, para passar o sossego da noite e a obrigação de velar. Achei sempre fútil considerar a vida como um vale de lágrimas: é um vale de lágrimas, sim, mas onde raras vezes se chora. Disse Heine que, depois das grandes tragédias, acabamos sempre por nos assoar. Como judeu, e portanto universal, viu com clareza a natureza universal da humanidade.
A vida seria insuportável se tomássemos consciência dela. Felizmente não o fazemos. 

cap.406 - Não creio alto na felicidade dos animais, senão quando me apetece falar dela para moldura de um sentimento que a sua suposição saliente. Para se ser feliz é preciso saber-se que se é feliz. Não há felicidade em dormir sem sonhos, senão somente em se despertar sabendo que se dormiu sem sonhos. A felicidade está fora da felicidade.
Não há felicidade senão com conhecimento. Mas o conhecimento da felicidade é infeliz; porque conhecer-se feliz é conhecer-se passando pela felicidade, e tendo logo já, que deixá-la atrás. Saber é matar, na felicidade como em tudo. Não saber, porém, é não existir.
Só o absoluto Hegel conseguiu, em páginas, ser duas coisas ao mesmo tempo. O não-ser e o ser não se fundem e confundem nas sensações e razões da vida: excluem-se, por uma síntese às avessas.
Que fazer? Isolar o momento como uma coisa e ser feliz agora, no momento em que se sente a felicidade, sem pensar senão no que se sente, excluindo o mais, excluindo tudo. Enjaular o pensamento na sensação.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PORTA TALHERES





Quem de vocês conhece as peças da foto?

Mesmo quem conhece garanto que não as vê há longo tempo. Explico porque. São os antigos porta-talheres, que ninguém mais usa. Além de quase não se fazer refeições em casa, com a família toda reunida e conversando à mesa, as pessoas mal têm tempo de engolir o que empurram goela abaixo nos restaurantes e lanchonetes. E o velho e saudável hábito de comer devagar foi-se, acredito, para as calendas. Repararam como as pessoas eram mais esbeltas antigamente? É só ver uma foto dos anos 40/50/60 do centro da cidade de São Paulo. Todos magros, bem vestidos, as mulheres de tailleur e salto alto, os homens de terno e gravata além do chapéu, 

Não sou saudosista. Gosto de inovações, mas convenhamos: nem todas as novidades deveriam descartar o que nos ajuda. Sim, porque o porta talheres ajuda a emagrecer. O fato de você colocar garfo e faca "descansando"  leva à conversação, e o organismo se satisfaz com menos comida. O cérebro avisa que aquela porção no prato já foi suficiente. 

Hoje coloquei o porta talheres à mesa, para almoçar com os filhos e eles nem sabiam o que era aquilo. Foi divertido. Expliquei que minha tia (recentemente falecida) chegou a usá-lo quando era mocinha e pesava 38 kg depois de adulta. O máximo que chegou foi a 42 kg. Sempre teve vontade de engordar e não conseguiu. Será que porta-talheres tem algo a ver com isso? Acredito que não, mas foi bom filosofar um pouco sobre o assunto!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O cheiro da naftalina






Para muitos é um cheiro insuportável, para alguns dá alergia, para poucos (o meu caso) traz lembranças maravilhosas e portanto eu adoro esse cheirinho. O pijama e a colcha das fotos eram de minha tia, recentemente falecida. Fiquei com eles e já estou usando. Sinto que faço isso porque, além de me agradar, é uma tentativa de me comunicar com ela. 

Quando fui até seu apartamento para embalar tudo e fazer a mudança para o depósito que há no meu prédio, levei 12 dias completos para terminar a árdua tarefa. Enchi 11 sacos de lixo de 100 l e as caixas grandes de papelão chegaram a 100 unidades. Fiz tudo sozinha. Mas descansava entre uma semana e outra voltando para meu canto, onde podia dormir numa cama, pois lá dormia num colchonete, no chão. Não gostei nada, nada...e levei minha querida cachorrinha que dormiu em sua cama e não estranhou nada. 

O que mais me surpreendeu é que minha tia era acumuladora, e apesar de juntar coisas durante os 46 anos em que lá morou, só havia uma certa "bagunça organizada" em seu quarto, onde tudo ficava em sacolinhas de supermercado (ela vivia prometendo que iria desocupar aquela bagunça e nunca conseguiu fazer isso). Mas o mais surpreendente é que, quando fui arrumar as coisas dela, abri o guarda roupa e comecei a tirar as roupas de cama, banho,vestidos, etc, e não encontrei uma só barata ou traça. Estava tudo impecavelmente limpo e livre de insetos. 

Adivinha se eu abri um pacotinho de naftalina que ela ainda guardava e distribui as bolinhas no meu guarda roupa? Esse cheirinho (claro que é de longe e de leve) me agrada bastante. Enquanto eu tiver naftalina por perto minha tia estará comigo!!!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A TAL DA FELICIDADE...




imagens da internet




Chega de correr atrás de listas de coisas que podem trazer a tão propalada "felicidade".
A felicidade é pessoal.
A felicidade só existe em duas fases da vida: infância e velhice.
Porque é apenas nessas duas etapas da vida que não temos expectativas e vivemos no presente.
A criança, porque ainda não foi contaminada pela sociedade.
O velho, porque já aprendeu que a expectativa nos deixa infelizes.

Tudo isso refleti após assistir ao programa Café Filosófico de ontem, em que um médico, Dr. Alexandre Kalache discorreu sobre A Evolução da Longevidade. Muito bom o programa. Ele sabe dar o recado de forma simples e direta. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

algumas palavras sobre Robin Williams




Triste saber da morte de Robin Williams. Assisti a vários filmes dele, um muito instigante, não me lembro o nome, mas ele levava flores para as ex namoradas e só recebia contras. Supõe-se que deve ter aprontado com cada uma delas. A tentativa de restabelecer os laços de amizade e talvez uma segunda chance,  sempre acabava dando em encrencas. 

Lendo sobre seu suicídio e a forma como escolheu morrer, causa-me calafrios. Não tenho tendências suicidas, ou não tive até hoje, ao menos, mas se tivesse que escolher a forma de cometer o suicídio, nunca seria por asfixia. Acho que há um terrível sofrimento no processo e sabe-se lá quanto tempo demora...

Tenho mais simpatia por um tiro nos miolos. Até veneno me assusta. Nunca se sabe o tempo que leva para fazer efeito mortal!

Mas ele escolheu a asfixia. Talvez enforcamento. A mídia não comentou até agora sobre o tipo de asfixia usado. 

A depressão grave deixa as pessoas a tal ponto que, mesmo que nós julguemos ser o suicídio um ato de extrema coragem, para os depressivos deve ser um ato de libertação!!

domingo, 10 de agosto de 2014

eu e ela









Eu converso com ela o dia inteiro, ou sempre que tenho vontade. Ela me entende, não me critica, não pede nada, ou melhor, às vezes pede e eu entendo o que quer, mas ela nem fala. Trocamos afeto, fazemos companhia uma à outra em muitos passeios, geralmente almoçamos e jantamos juntas, na hora de dormir ela sempre me acompanha, eu faço uma oração e agradeço por tudo o que tenho, mas agradeço principalmente por ter me curado do mal de sentir-me solitária de vez em quando, antes de ela morar comigo. Agradeço por ter sido colocada em minha vida no momento em que eu mais precisava e não sabia.

Não, não sou homossexual. Estou falando da minha cachorrinha Juju, que depois dos meus filhos é o ser que mais amo. Não me canso de pensar que antes dela, minha vida estava sendo rodada em preto e branco. Agora é colorida, pela alegria de compartilhar todos os momentos. E ela nem exige nada. Sou eu quem gosto de cuidar desse amor de cachorrinha..

domingo, 3 de agosto de 2014

Ponteiros Parados: ÓCIOS DO OFÍCIO

Ponteiros Parados: ÓCIOS DO OFÍCIO: Eugene Richards | Série Blue Room Para Galileu, a natureza é um livro escrito em linguagem matemática, cujos caracteres são triângulo...



É isso aí: "não há nada mais livre do que um relógio parado". De vez em quando mando-me ao conserto!

Abraços,

Sônia

terça-feira, 8 de julho de 2014

Seu aniversário





Titia, ontem eu quis ligar para você e cumprimentá-la pelo seu aniversário, como fazia todos os anos. Mas como você morreu menos de um mês antes de completar 96 anos, pensei em ligar para o céu. Aí constatei que não tenho o número do telefone do Papai do Céu (como você se referia a Deus). Então fiz uma oração e pedi ao Papai do Céu que cuide sempre de você e tenho certeza que Ele o fará. Seu espírito deve estar iluminando um pouco mais o lugar onde ficam as almas santas!

domingo, 6 de julho de 2014

Ponteiros Parados: O SISO DO FILÓSOFO E O RISO DA ESCRAVA

Ponteiros Parados: O SISO DO FILÓSOFO E O RISO DA ESCRAVA: Elliott Erwitt | NY, 1953 Esta notícia fez-me lembrar aquele célebre episódio entre Sólon e Tales de Mileto, que é contado por Pluta...







Muito bem colocada a questão. Melhor deixar o instinto à solta, que naturalmente vai à procura do outro para dividir o amor...

INICIO DE UMA NOVA FASE

Ontem foi o dia de começar um ciclo novo, nem por isso isento de dor. 
Visitando o apartamento vazio de minha tia querida, recentemente falecida (tinha 95 anos), percebi que perdi meu último laço de sangue mais velho que eu. 

E agora? Para quem vou perguntar as coisas nunca perguntadas? Com quem vou tomar o cafezinho da tarde com pão fresco comprado na padaria próxima ao seu apartamento? Quem vai me receber com os braços abertos e um sorriso no rosto? Quem vai conversar comigo sobre a vida, esta pessoa que apesar de viver com o mínimo de dinheiro, nunca se queixou de nada? Convivia com ela numa relação muito estreita, principalmente depois que minha mãe morreu, e passei a dedicar à minha tia a atenção e cuidados que me eram possíveis. Ela me chamava de Soninha. A única pessoa que me chamava dessa forma. Além de sobrinha sou afilhada de batismo dessa pessoa encantadora, cuja única queixa era desejar engordar um pouquinho. E eu dizia: "titia, mas você come tão devagar que o seu cérebro sinaliza que já está satisfeito depois de algumas garfadas". Nunca passou de 40 quilos. Morreu com 35kg. 

Quando entrei com meu filho em seu apartamento, na intenção de começar a separar as coisas dela, filtrar o que vai ser doado, o que vai ficar para a família e o que vai ser descartado, senti que não ia conseguir fazer nada disso. 

Fui tomada de uma emoção forte, pois ao abrir a porta estava acostumada à presença dela sempre sorridente para mim. Caí no choro. Meu filho, que pouco conviveu com ela foi aos poucos sendo tomado por um choro discreto e até pensei que estava com os olhos lacrimejando pelo cheiro da naftalina que ela sempre usou para conservar suas coisas. Era cuidadosa ao extremo com tudo o que tinha. As toalhinhas de crochê que fazia, sempre impecáveis, as revistas sobre costura, tricô e crochê, moldes do tempo em que ainda costurava roupinhas de bebê... Perguntei se o problema era a naftalina. Ele disse que não, estava emocionado. Dava para sentir que minha tia estava conosco ontem. Ouvi dizer que nos primeiros dias após a morte o espírito das pessoas ainda habita o ambiente em que moravam. E ela morou naquele apartamento 46 anos. 

Terei que passar uma semana lá, a ver se consigo desempenhar a tarefa que me coube. Peço desde já a proteção divina, para que consiga fazer tudo da melhor forma possível.

Trouxe duas plantas que estavam nos fundos do prédio ao Deus dará. Já estou cuidando delas como minha tia fazia. Eram as filhas que nunca teve.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

o que um texto me revelou!




Vermeer - The girl with a pearl earring





Estou digitando um texto para alguém a quem estimo e a quem ofereci esse serviço. Foi por pura intuição que estou fazendo isso, até porque preferia não entrar em contato mais estreito com essa pessoa, que no passado me fez sofrer mais do que eu poderia suportar. Mas hoje consigo separar as coisas e no fundo eu quero bem a esse ser humano que tem qualidades e defeitos como todos nós. 

Estou descobrindo coisas a meu respeito que nem desconfiava que fossem por esse meio reveladas. Como somos diferentes!!! Eu sei que passamos por sofrimento semelhante há muitos e muitos anos mas cada uma das pessoas tomou um rumo totalmente diverso. 

Confesso que essa pessoa não se deixou abater e soltou as amarras de uma forma que até invejo. Eu já fui pelo caminho do auto-sacrifício, do medo de resvalar para o prazer fácil, do sentimento de obrigação em não ofender meus familiares.

Agora, depois dos sessenta, começo a vislumbrar que em respeito aos outros não vivi a vida como poderia. Não desfrutei de nenhum momento de prazer quando isso pudesse significar prejuízo á minha família, mesmo de leve. Meu senso de obrigação e de não tirar proveito de pai e mãe em benefício próprio fez com que desde jovem eu tomasse para mim toda a responsabilidade de me sustentar e não dar trabalho aos meus pais. Sempre que podia, ajudava-os, embora tenha recebido muita patada de meu pai e uma ausência afetiva marcante dos dois, pai e mãe.

O resultado disso é que essa pessoa a quem digito seu texto tem uma vida de artista, leve e solta, está bonita mesmo com quase a minha idade e até hoje obedece aos impulsos de fazer o que quer, na hora em que decidir.

Eu, sempre pensando nos outros primeiro, só faço o que gosto se não significar prejuízo a quem estiver no meu rol de parentes, amigos e conhecidos.

Não é o caso de eu perguntar se ganhei algo com esse meu comportamento auto-repressor, um pouco parecido aos orientais, que às vezes deixam de viver como gostariam, em respeito aos pais, a quem dão importância primordial em suas vidas. 

Não é o caso de me arrepender de ter vivido desta forma, até porque não conseguiria ser "amor e rock&roll" como essa pessoa a quem me refiro. Cada um sabe de si e procura uma orientação dentro de seu coração que no meu caso, sempre me protegeu. Porque eu cresci medrosa e com sentimento de pouca valia. Só agora tenho plena consciência disso.  Eu tenho potencialidade para ter sido o que decidisse ser, mas faltou aquela coragem que sobrou a essa pessoa. 

Agradeço à proteção espiritual que me acompanha. Quero deixar aqui registradas essas palavras, caso alguém tenha passado por situação semelhante. Posso não confiar nos homens em geral, mas confio em Deus, nos meus filhos e na minha cachorrinha. E isso me basta. Não poderia ter sido de outra forma. Eu iria destruir, com minha insegurança, medo e baixa auto-estima, a vida de todos os homens que se aproximaram de mim. Alguns até me amaram, mas fui incapaz de arriscar com qualquer um deles.
Não tenho mais subsídios emocionais para tolerar gritos, violência, agressões e todo esse tipo de coisa e sei que em um relacionamento isso sempre acontece uma vez ou outra.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Agonia e morte de um pardalzinho





Há tempos pensei que nunca em toda a vida encontrei um passarinho morto nas calçadas, ruas ou caminhos por onde ando. Não sei o que acontece  com eles quando morrem. Acho que existe um anjinho que os carrega em suas mãos e os leva para o paraíso dos passarinhos.

Acabei de chegar de um passeio pela praça, com minha cachorrinha e assisti a uma cena que me tocou muito. Um filhote de pardal agonizando. Estava caído na grama, um dos olhos era uma bolha de sangue, e ele não tinha forças para voar. Mas arriscou pequenos vôos. Eu fui buscar uma caixa na lanchonete do outro lado da praça e pensei em levar o bichinho para dar um trato, alpiste e água, pois talvez se recuperasse. Mas aí aconteceu uma daquelas coisas que nos faz pensar: "o homem põe e Deus dispõe". O passarinho resolve voar e dá uma trombada justamente no tronco maior que havia na praça. Caiu e começou a agonizar. Só soube que ainda estava vivo pois sua única patinha (a outra estava quebrada) mexia um pouco. Fiquei muito emocionada e rezei pela alminha dele. De repente ele se virou (estava deitado de costas) e ficou apoiado nas perninhas. Quis morrer com dignidade. Deixei-o na caixinha pedindo que ele fosse para o paraíso dos passarinhos.

sábado, 24 de maio de 2014

antes tarde do que nunca








As pessoas ainda se encolhem quando têm que admitir certas doenças, como se tivessem culpa por tê-las. Há uma espécie de vergonha, que vem de tempos remotos, quando víamos pessoas com lepra, isoladas em locais onde ninguém ousava chegar perto. Apenas médicos especializados tratavam desses seres como podiam, já que os recursos e conhecimentos sobre a doença não permitiam que muito fosse feito para o benefício deles. Fico pensando no sofrimento de tanta gente, não só pela dor física, mas pela dor emocional, por não terem contato com o mundo. O mesmo acontecia com os tuberculosos, que eram isolados do mundo em locais afastados, pois ainda não havia cura para esse mal, e acabavam morrendo sem que pudessem ver seus entes queridos, proibidos de entrar nesses locais de isolamento.

Hoje queria falar sobre a depressão. Passei a vida inteira negando esse mal do século, talvez por duas razões: uma inconsciente e outra por ignorância. Minha mãe sempre teve depressão, tomava 6 remédios por dia e nunca se curou. Eu jurei que se tivesse esse mal iria vencer sem remédio algum. Apenas com recursos alternativos. O motivo da ignorância é que há muitos anos sofro de crises de ansiedade que se revezam com períodos de relativa calma. A última grande crise foi no ano 2000, depois disso tive pequenas crises que não chegaram a interferir no meu ritmo de vida.  Nunca deixei de fazer nada que fizesse parte de minha rotina  por causa dessa ansiedade. Apenas sofria calada, com a energia diminuída e pouca disposição física. 

Só agora, já em plena velhice, acordei. Depois de sofrer fratura do colo do femur e ficar 3 meses sem poder sair de casa, movimentando-me apenas com o auxílio de um par de muletas, não sabia que isso me levaria a uma posterior ansiedade fortíssima, a ponto de afetar minha respiração (sensação de sufoco) e minha voz (que saía fraca e dissonante). 

Encarei o psiquiatra. Estou me tratando sem considerar o meu passado de resistência a isso. O que ouvi do médico serviu-me como uma lição de vida. Ao final da consulta ele disse: "o fato de você até agora ter negado que tem depressão fez com que sofresse mais do que se tivesse se tratado antes".

E ontem, ao esperar para ser atendida por minha fisioterapeuta que está me ajudando com acupuntura, auriculoterapia e massagem, tive vontade de anotar o que me chegou ao pensamento e aí vai para quem quiser ler:

1) Tenho que reaprender a me interessar pelas bobagens da vida.(porque quase tudo é bobagem)

2) Há algo em comum na paixão e na depressão. Ambas provocam sofrimento. Só que a paixão é o êxtase e a depressão é o aniquilamento.