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sábado, 30 de maio de 2015

HOMESICK

Resultado de imagem para casinha






Quando criança costumava desenhar casinhas mais ou menos como essa. Sentia um acolhimento só de traçar uma porta, duas ou três janelas, e sempre uma ou duas árvores nas laterais e me imaginar morando nelas.


Até hoje tenho o costume de admirar certas casas, em passeios a pé com minhas cachorrinhas e fico pensando em como deve ser a vida das pessoas que as habitam. Crio verdadeiras "short histories" , recheadas de vida, ricas em movimento, trocas, alegrias, compartilhamento de problemas, enfim, fatos que acontecem a quase todos nós. 


Uma casa, para mim,  é o símbolo do que precisamos para estar bem situados emocionalmente. E é principalmente o que existe entre as suas paredes o que mais conta. O que se vive, o que se compartilha. O que se chama "lar".


Uma casa é nosso mais íntimo desejo de aconchego, acolhimento, pertencimento. Pode ser pequenina, mas tem que abrigar muito amor dentro de seus cômodos. 


Sempre vou gostar de criar histórias sobre famílias que vivem dentro das casas que vejo e que me chamam a atenção por algum motivo. Às vezes chego a sentir o "clima", o "ambiente" dentro daquelas paredes. Tenho vontade de bater à porta e perguntar a quem mora nessas casas: você sabe o tesouro que é morar num lugar como esse? 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Roberto e Ana

Em prisão domiciliar desde 16 de maio, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que há dez anos denunciou o esquema do mensalão, realiza seu casamento com Ana Lúcia Novaes, de 46 anos, na Ilha de Capri, casa de festas em Três Rios
"Minha linda, minha Ana, você desperta em mim o encanto pela vida, "Minha linda, minha Ana, você desperta em mim o encanto pela vida, você me enternece, e a ternura faz de mim um ser humano melhor. Você desperta em mim os instintos mais deliciosamente primitivos", 
Tudo bem. Ele é corrupto, ou pelo menos já foi. A única diferença entre ele e os milhares de outros é que foi o primeiro a abrir a boca e denunciar. Não conheço as entranhas do poder mas sempre tive uma certa simpatia por Roberto Jefferson. E agora, vendo essa imagem, chego a acreditar que o amor verdadeiro existe. O rosto dele e a expressão carinhosa de sua noiva  chegam a emocionar. Ao menos a mim aconteceu de por uns instantes vislumbrar o que pode ser o amor de verdade entre um homem e uma mulher. Faço votos que sejam felizes e tenham vida longa!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

um pouco de Clarice...


(lugar onde li os livros de Clarice)



Olhei para minha pequena estante de livros onde guardo meus queridos (que não venderia por preço algum) e meus olhos caíram no volume de Clarice Lispector, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, que já li há muito anos. Folheando as páginas já meio amarelecidas e com o perfume dos livros antigos, deparei-me com trechos marcados a lápis, das frases que na época produziram algum impacto em mim. Transcrevo abaixo, talvez alguém goste de recordar Clarice...

NOTA: ESTE LIVRO se pediu uma liberdade maior que tive medo de dar. Ele está muito acima de mim. Humildemente tentei escrevê-lo. Eu sou mais forte do que eu. C.L.

pág.19 - ...seu descompasso com o mundo chegava a ser cômico de tão grande: não conseguira acertar o passo com as coisas ao seu redor. Já tentara se pôr a par do mundo e tornara-se apenas engraçado: uma das pernas sempre curtas demais.

pág.31 - Lori tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulisses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre.

pág.35 - Por mais intransmissível que fossem os humanos, eles sempre tentavam se comunicar através de gestos, de gaguejos, de palavras mal ditas e malditas. (aí fiquei na dúvida se houve erro de concordância com a palavra "intransmissível", ou falha da revisão).

pág.40 - Só com Ulisses viera aprender que não se podia cortar a dor - senão se sofreria o tempo todo.

pág.42 - Ela se guardava. Por que e para que? Para o que estava ela se poupando? Era um certo medo da própria capacidade, pequena ou grande, talvez por não conhecer os próprios limites. Os limites de um humano eram divinos?

pág.49 - Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas.

pág.55 - Era mais ou menos isto: é só quando esquecemo todos os nossos conhecimentos é que começamos a saber.

pág.58 - alivia a minha alma; faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja mão humana amada para apertar a minha, amém. (nota: na pág. 125 há a mesma oração porém com algumas modificações no texto).

pág.65 - Temia que Ulisses se cansasse daquela sua resistência paquidérmica em deixar o mundo entrar nela, e desistisse. E o desespero a tomava.

pág.72 - Surpreende seu próprio pensamento: então ela planejava de fato um dia ser sua? Pois enganava-se sempre pensando que se tratava de uma espécie estranha de amizade e que assim continuaria sempre, até murchar como uma fruta que não é colhida a tempo e cai apodrecida da árvore para o chão.

pág.: 75 - Não é por nada que olho: é que eu gosto de ver as pessoas sendo.

pág.115 -  Ela conhecia o mundo dos que estão tão sofridamente à cata de prazeres e que não sabiam esperar que eles viessem sozinhos. E era tão trágico: bastava olhar numa boate, à meia-luz, os outros: era a busca do prazer que não vinha sozinho e de si mesmo.

antes o sofrimento legítimo que o prazer forçado.

pág.119 - pois com os amantes que tivera ela como que apenas emprestava o seu corpo a si própria para o prazer, era só isso, e mais nada.

E pensar que os filhos do mundo crescem e se tornam homens e mulheres, e que a noite será plena e grossa para eles também, enquanto eu estarei morta, plena também. 

pág.132 - Que faria dessa lucidez? Sabia também que aquela sua clareza podia se tornar o inferno humano. Pois sabia que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade era um risco: "Apagai pois a minha flama, Deus, porque ela não me serve para os dias. Ajudai-me de novo a consistir de um modo mais possível. Eu consisto, eu consisto."

pág. 133 - Pelos minutos de alegria por que passara, Lóri soube que a pessoa devia deixar-se inundar pela alegria aos poucos - pois era vida nascendo. E quem não tivesse força de ter prazer, que antes cobrisse cada nervo com uma película protetora,com uma película de morte para poder tolerar o grande da vida.

pág.135 - E Lóri pensou que talvez essa fosse uma das experiências humanas e animais mais importantes: a de pedir mudamente socorro e mudamente esse socorro ser dado.

pág.161 -  - A noite de hoje está m parecendo um sonho.
                  - Mas não é. É que a realidade é inacreditável.

pág.169 - Existir é tão completamente fora do comum que se a consciência de existir demorasse mais de alguns segundos, nós enlouqueceríamos. A solução para esse absurdo que se chama "eu existo", a solução é amar um outro ser que, este, nós compreendemos que exista.
                  



quarta-feira, 13 de maio de 2015

lucidez





Lucidez, como é importante! Facilita a vida da gente e a dos outros. Mas cuidado com ela, há que se saber administrar a dosagem.

Estou vivendo uma fase em que preciso cada vez mais de lucidez para não me iludir e gastar o precioso tempo que me resta à toa.

Quero dizer com isso que planos a longo prazo já não fazem parte da minha vida. Planejo o dia, talvez a semana, e só!

Há coisas que já posso deixar de lado e não me farão a menor falta.
Há coisas que devo seguir fazendo até para não deixar a mente muito solta, servindo como oficina do diabo.

Limpar o local onde moro, preparar o alimento, cuidar das compras necessárias, são tarefas que me ocupam o bastante para o dia.

O que não devo fazer são muitas coisas e vou poupar o leitor. Destaco a mais recente descoberta: posso, mas não desejo, sair de carro à noite para lugares muito longe de casa. Bateu um medo de ser assaltada nos sinais. Exceção: viajar para o litoral (minha cidade natal) é um programa que faço com muito gosto!

Aceitar cada dia como uma dádiva e agradecer por estar disponível para quem precisar de minha ajuda.

Perceber que há pessoas que não querem minha ajuda e respeitar isso.

Não se surpreender com  mais nada, especialmente com pessoas que tenham comportamento próximo ao bizarro, totalmente inesperado, frente a fatos corriqueiros que deveriam ser encarados com gentileza e naturalidade.

A cada dia vou aprendendo mais um pouco, nunca deixando de ser alegre e grata por tudo.

NÃO HÁ DÚVIDA: ESTAMOS AQUI PARA APRENDER NA ESCOLA DA VIDA, A ÚNICA QUE NOS DARÁ O MELHOR DIPLOMA QUE PODEMOS OBTER: O DIPLOMA DA VIDA VIVIDA COM PLENA CONSCIÊNCIA!!!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

RETROSPECTIVA



imagem da internet

Breves insights me levam a sentir que minha vida até aqui tem sido de um valor extraordinário. Nada foi vulgar, as experiências todas vieram carregadas de um conteúdo que passou desapercebido à época em que aconteceram, mas agora tudo começa a fazer sentido. Cada insight chega pleno de colorido e força. Foi a minha vida. Foi o que fez parte do meu roteiro. A cada dia consigo mais e mais abrir um espaço entre o que vivi e o que sou hoje e assim poder ver tudo com uma certa isenção de julgamento. Mas dá para sentir que foi uma história feita para mim, talvez até escolhida por mim para que chegasse o momento em que pudesse utilizar um novo olhar, com mais carinho e admiração. Admiração de ter sobrevivido a muitos impasses, e mais que tudo, agradecimento por estar conseguindo ver tudo novamente, de uma forma nova, cheia de vigor!

É difícil explicar o significado do texto acima para quem não viveu ou está vivendo essa experiência, mas o título do post dá uma ideia do que seja.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Tenho que aprender a deixar isso....






Pego-me em flagrante muitas vezes. Quando me deparo com uma situação que não vivi e que gostaria muito de ter experimentado. A carência ficou e uma necessidade quase doentia de perseguir esse sonho, embora sabendo que já não será possível torná-lo realidade. É aceitar ou aceitar. Não há saída melhor. Qualquer atitude para forçar um sonho que virou um aborto seria uma violência contra mim. Então caiu-me como uma luva o texto abaixo e percebi que embora tenha que pedir perdão a Deus por desejar algo que não era para mim, tenho conseguido viver no silêncio, aceitando em silêncio o que é agora realidade. Só não aprendi ainda a conseguir o silêncio da alma, só não aprendi ainda a não desejar ter tido o que não tive. É como se enquanto tenho vida possa achar-me no direito de ficar frustrada. O silêncio que aprendi foi não falar a ninguém sobre meu sonho não realizado, agora falta o mais difícil: nem lembrar mais dele, como um adulto faz quando não liga mais para mascar chicletes com a mesma vontade que tinha quando criança. 




Depois do começo
Esta nova acção total não combina contigo, com essa tua parte construída com informação e opiniões. Procuras então alguma actividade fragmentária para recomeçar o círculo do absurdo, do nada escuro que te chama com inquietude e nostalgia a partir do teu próprio ser. Mas estás solenemente acordado e vês a impossibilidade de regressar do todo para a parte. Encontras-te num inferno de paz. Ocultar um desgosto, sepultar uma dor com o sexo, com a acção social, com a bebida, com a chamada “religião”, com a chamada “política”, com qualquer das inúmeras palas que usamos, é semelhante a enterrar uma semente que inevitavelmente explodirá em centenas de raízes ocultas de novas dores, de novos sofrimentos. Enfrenta a dor, não a respeites, que morra agora quando surge, porque com a primeira distracção ou consolo, não fazes senão enriquecer a sua fertilidade. Destrói as sementes da dor abordando o sofrimento agora mesmo, com as armas mais difíceis de forjar: a quietude e o silêncio.

Tens que enfrentar a essência do teu problema. Aprender a arder com a tua própria tranquilidade, a queimar-te a cada segundo na sagrada arte e difícil ciência do teu próprio silêncio, e aprender a inesgotável lição do teu silêncio.

Trecho do livro - O Manual do Homem Novo, Dr. Feldman Gonzalez
(traduzido por Isabel Gonçalves, Portugal)