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segunda-feira, 27 de julho de 2015

poesia para ser lida em forma de oração nos dias atuais


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Tarefa
Geir Campos

Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.

Geir 
Nuffer Campos nasceu em São José do Calçado (ES) no dia 28/02/1924. Foi piloto da marinha mercante e ex-combatente civil na Segunda Guerra Mundial. Formou-se em Direção Teatral (FEFIERJ-MEC, Rio), mestre e doutor em Comunicação Social pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da qual foi professor. Sempre engajado nas lutas de seu tempo, foi um dos fundadores do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira de Tradutores, hoje Sindicato Nacional dos Tradutores, de que foi presidente. Em 1962 candidatou-se a vereador na cidade de Niterói, mas foi derrotado.

Jornalista, colaborou no "Diário Carioca", "Correio da Manhã", "Última Hora", "O Estado", "Diário de Notícias", "Para Todos", Letras Fluminenses", "Jornal de Letras" e no jornal "A Ordem", de sua terra natal.

Radialista, apresentou na Rádio MEC, por mais de 20 anos, o programa "Poesia Viva".

Foi diretor da Biblioteca Pública Estadual de Niterói (1961-1962), transformando-a em um centro cultural. É de sua autoria, juntamente com Neusa França — que fez a música —, a letra do hino oficial de Brasília (DF).
A vida de Geir parece ter sido sempre ligada ao livro. Filho de pai dentista e mãe professora, estudou como interno no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, o que deve ter fortalecido sua relação com a cultura escrita. De bom leitor passou a estudioso de línguas e literaturas. Morando em Niterói (RJ) desde 1941, logo conheceu os jovens do Grêmio Literário Humberto de Campos e a livraria-engraxataria Mônaco. Tornou-se uma espécie de guru na vida literária da cidade, orientando os escritores interessados em conhecer as novas tendências literárias, nacionais e estrangeiras. Trouxe para autografar nas reuniões matinais do Grupo de Amigos do Livro, presidido por Sávio Soares de Sousa, na então já Livraria Ideal, nomes como Astrojildo Pereira e Moacyr Félix, seu amigo da vida inteira.Começou a escrever, em 1940, contos e poemas originais ou traduzidos, que foram publicados na imprensa. Em 1950, seu primeiro livro de poesias, "Rosa dos Rumos", foi publicado. Depois vieram "Da profissão do poeta", Canto claro & poemas anteriores", "Operário do canto", "Cantigas de acordar mulher", "Metanáutica" e "Canto de Peixe", dentre outros. Sua bibliografia inclui livros de contos, peças teatrais, obras de referência, literatura infanto-juvenil, ensaios e teses. Incluído pela crítica na famosa "Geração 45", que renovou a poesia brasileira, ao final dos anos cinqüenta já havia publicado nove livros de poesia, tendo recebido, em 1956, o Prêmio Olavo Bilac da Prefeitura do Distrito Federal por "Canto Claro & Poemas anteriores". Exímio tradutor, verteu para o Português obras de Rilke, Kafka, Brecht, Shakespeare, Herman Hesse, Walt Whitman e Sófocles. O ensaio "Carta aos livreiros do Brasil", obteve menção honrosa no concurso ao Prêmio Monteiro Lobato, promovido pela Academia Brasileira de Letras. Publicou significativa obra ensaística sobre tradução, que até hoje é fonte de referência para os interessados no assunto. É, também, de sua autoria, o "Pequeno Dicionário de Arte Poética", obra que contém centenas de verbetes e remissões, com farta exemplificação e resenha bibliográfica.

Fundou, com Thiago de Melo, em 1951, as Edições Hipocampo, que revolucionou as artes gráficas no Brasil. Foram publicados textos poéticos, em prosa e verso, de autores consagrados e novos, todos ilustrados primorosamente por grandes artistas. Os livros eram compostos tipograficamente, diagramados pelos próprios editores e impressos após o expediente da gráfica de fundo de quintal, em Niterói, dirigida por Antonio Marra e Armando Cabral Guedes. O processo de acabamento era feito na casa onde 
Geir residia, com a colaboração de toda a família. Dobravam-se as capas em forma de envelope, onde se inseriam as folhas soltas. Com tiragens médias de 116 exemplares, em dois anos foram feitas 20 edições, que incluíam nomes como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Iberê Camargo, João Guimarães Rosa, Fayga Ostrower, Santa Rosa e Darel Valença.

Dele falou 
Aníbal Bragança, professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, autor, com Maria Lizete dos Santos, de "Geir Campos - O poeta, o editor & a Carta aos livreiros do Brasil", de onde extraímos os dados acima: "Geir Campos não foi apenas um artesão da palavra e um operário do canto. Esteve em todas as frentes de ação pelo fortalecimento do livro, como editor, como bibliotecário, como tradutor, como líder da categoria, como professor e como autor. Autor, diga-se, de uma obra sólida e múltipla, rica e diversificada, que marcou a literatura brasileira da segunda metade deste século".Geir Campos faleceu no dia 08 de maio de 1999, aos 75 anos, em Niterói (RJ).

Poema extraído do livro "Geir Campos - Antologia Poética", Léo Christiano Editorial Ltda. - Rio de Janeiro, 2003, pág. 89, organizada por Israel Pedrosa.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

o medo é o último sentimento a desaparecer ( e às vezes nunca desaparece)





imagem da internet


Dependendo da intensidade do sofrimento durante a vida, a pessoa pode vir a deixar de amar e respeitar alguém com quem conviveu num ambiente impregnado de medo permanente. Com o tempo, acaba o amor, acaba o respeito por essa pessoa, mas há um sentimento que persiste, mesmo depois que o malfeitor já tenha morrido. 

O medo é algo que fica gravado a ferro e fogo, cuja cicatriz ainda dói a cada vez que é tocada.

Morre-se com ele.

Por isso é bom crer que há reencarnação e um certo livre arbítrio para que, ao pagar nossas pendências numa próxima vida, possamos escolher não deparar com quem nos feriu profundamente. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

arroz queimado ou mentirinhas necessárias



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Por causa de uma panela de arroz queimado tive o impulso de vir até o meu blog publicar o que me veio à cabeça em seguida.

Primeiro quero explicar como aperfeiçoei a técnica de disfarçar um arroz queimado no fundo da panela. Acontece às vezes,mesmo estando eu na cozinha, preparando refeições, acabo deixando de vigiar o arroz. Aprendi. por experiência própria, que há uma técnica a ser usada que dispensa jogar todo o arroz fora e fazer outro. Pegue outra panela, transfira com um garfo o arroz da panela em que foi feito, tomando o cuidado para não deixar na nova panela nenhum grão queimado. Não tampe a nova panela de arroz, para que o cheiro de queimado que ainda resta possa se dissipar. 

E agora vem a filosofia a respeito desse fato:

eu costumava ser muito "certinha", muito de contar toda a verdade, mesmo quando não solicitada. E reparei que só perdia com isso. Ao contrário, ganhava críticas, nem que fossem pequenas. E reparei que não gosto de críticas, mas sou obrigada a recebê-las e me calar, quando têm fundamento. Descobri que certas vezes, quando há uma forma de camuflar o que aconteceu sem que isso cause algum prejuízo a outros, por que não fazê-lo? 

Ninguém é tão verdadeiro a ponto de ouvir (como é o meu caso), mãe e irmã comentarem quando eu era mais nova: "se eu abrir um comércio vou colocar a Sônia no caixa. Nunca vi pessoa tão íntegra". Confesso que isso não me trouxe na vida prática muitos benefícios, fora minha consciência limpa. Mas a consciência pode ficar igualmente limpa se você usar certos desvios de rota, desde que sejam para facilitar sua vida e não prejudicar terceiros. 
Hoje quero mais leveza, o tempo que me resta é menor, preciso saber usá-lo com maestria. 

E só para terminar, meu filho almoçou e nem percebeu que o arroz havia queimado. Contei-lhe que isso inspirou uma postagem no meu blog, que estava a meio caminho. Ele deu risada e concordou comigo. Felizmente não é parecido com a mãe e vive a vida com menos exigência de si.